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Cabelo crespo e Bombril: essa comparação não é brincadeira, e sim racismo

Sah Oliveira

28/12/2018 05h00

Cresci ouvindo que o meu cabelo era "ruim", de "couve-flor" ou "palha de aço". Sempre achei um erro nascer negra e ter cabelo crespo. Me sentia feia por ser negra e por causa do cabelo. Tudo isso por conta de imposições de padrões — e por conta de "piadinhas" que faziam comigo no colégio.


Levei muito tempo para me aceitar e me descobrir. E finalmente percebi que o cabelo crespo é lindo, poderoso, maravilhoso. Notei que não existe nada de errado com ele, nem com a minha cor de pele. Vi que, na verdade, o erro estava nas pessoas. Elas que eram (e as que pensam assim ainda são) preconceituosas.

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Na última semana, algo triste aconteceu: uma youtuber com mais de 200 mil seguidores postou um vídeo na plataforma em que tenta transformar seu cabelo cacheado em 4c, penteando os fios a seco. Ela se refere ao resultado usando palavras pejorativas como "nega maluca", "Bozo" e "Bombril" para descrever a sua insatisfação com o aspecto com que o cabelo ficou. Disse ainda que só usaria o cabelo se fosse "para uma festa à fantasia". Não à toa, ela recebeu uma enxurrada de críticas, acabou apagando o vídeo e pediu desculpas publicamente.

Isso não é engraçado: só faz a manutenção do racismo e do preconceito enraizado nas pessoas, bem como prejudica o trabalho de muitas influencers que tentam mostrar todos os dias para as mulheres crespas o quanto elas são lindas, como seu cabelo é lindo e que não importa o que a sociedade acha ou diz a seu respeito.

O cabelo crespo é lindo. Nunca se pode dizer que ele "é horrível" , "parece Bombril", "tá parecendo cabelo 4C". Confesso que fico muito triste de, em pleno 2018, ter que falar algo óbvio sobre racismo e preconceito.

Saímos da ditadura do liso perfeito para a dos cachos perfeitos. O que existe é a aceitação apenas do cabelo cacheado. Se for crespo, não é bonito. Logo percebemos que ainda existe muito preconceito em relação ao cabelo crespo, que até mesmo ainda é excluído de propagandas. As pessoas com cabelo crespo continuam à margem dos padrões de beleza.

Por tudo isso, há pessoas que continuam a achar que o cabelo crespo não é bonito nem bem-visto. Isso nada mais é que preconceito e o desserviço do trabalho que nós crespas fazemos diariamente com quem nos acompanha pelas redes sociais.

Não podemos nos calar diante de situações de preconceito. Devemos mostrar o nosso poder e a nossa união. Mesmo que sejamos a minoria em publicidades, propagandas, e indústrias de beleza.

O mundo seria muito melhor se todos respeitassem as diversidades, as diferenças. Cada tem o seu tipo de cabelo. Cada pessoa e cada tipo de cabelo tem sua beleza. Não existe nada melhor que você se sentir linda do jeito que realmente é. Seja linda do seu jeito, com sua beleza. Ser linda é ser você!

Não queremos e não vamos deixar que o nosso cabelo seja comparado a qualquer coisa pejorativa. Somos fortes, somos poderosas. Somos crespas, sim, com muito orgulho.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Com 23 anos, Sah é formada em Marketing na Universidade UBC e em Comércio Exterior pelo IFSP. Suzanense (SP), de família simples, conquista o público com sua simpatia, buscando sempre atender atenciosamente quem a acompanha.

Sobre o blog

Dicas de cuidados com o cabelo crespo e de beleza negra. Aqui você vai aprender técnicas para deixar os seus cachos ainda mais bonitos e vai entender melhor como lidar com o seu tipo de cabelo.

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