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"Felicidade por um Fio": encarar transição capilar é descobrir amor-próprio

Sah Oliveira

28/09/2018 05h00

Violet Jones é uma publicitária perfeccionista — até ser libertada por seu cabelo (Foto: Divulgação)

"Felicidade por um fio", filme que acaba de ser lançado pela Netflix, enaltece a representatividade e mostra que não existe perfeição: que nós devemos ser nós mesmas sem deixar que as opiniões ou imposições de padrões das pessoas se torne nossa realidade. Ser você mesmo é libertador, é empoderador, é motivador. Fiquei muito impactada ao ver esse filme, pois era como se eu estivesse assistindo à minha própria história.

Na época do colégio, foi quando vivi meus melhores momentos, mas também os piores, porque sempre sofri muito bullying. Ser negra para mim era um erro, porque os meus colegas me diziam que eu era muito mais feia ainda rindo "por conta do meu nariz de negra", que ficava mais avantajado quando eu sorria.

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Me tornei uma adolescente reprimida, triste, porém muito forte. Em casa, ninguém sabia o que eu sofria, pois os meus pais nunca me motivaram a me aceitar — afinal, eles sofriam com as imposições de padrões e não sabiam lidar com essa situação.

O filme mostra como é importante o auxílio dos pais na formação de personalidade de uma criança que não sabe lidar com o mundo. Ser você mesmo não significa ter o cabelo natural, ou passar pela transição capilar, mas tem a ver sim com quem você é de fato. Não adianta você ser quem as pessoas quer que você seja.

Na época do colégio, com o cabelo liso (Foto: Arquivo Pessoal)

 

Quando passei pela transição capilar pensei que seria apenas um processo para ter o cabelo natural de volta. Mas não. Foi realmente uma transição de dentro para fora. Comecei a ser eu mesma e me identificar como alguém que pode ser linda, sim. Do meu jeito, com o meu sorriso, com o meu cabelo crespo, com a minha cor de pele. Foi quando percebi que ali nascia o meu amor-próprio, que foi mudando as minhas perspectivas em relação a tudo em minha volta. As opiniões negativas não me afetavam mais; a única coisa me me importava era a minha opinião sobre eu mesma:  o importante era que me sentia linda do jeito que sou.

Tudo mudou quando eu decidi me aceitar: todos percebiam algo diferente em mim, uma beleza que exalava de dentro para fora, algo que ninguém entendia, mas que me elogiavam mesmo sem compreender aquela beleza, que para eles era fora dos padrões propostos.  Aprendi a não esperar um elogio de alguém para me sentir maravilhosa; sempre quando acordo olho no espelho e digo o quanto sou linda e poderosa. Você pode ser quem você quiser, não mude nada por conta de padrões.

 

E agora, com os cachos! (Foto: Arquivo Pessoal)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre a autora

Com 23 anos, Sah é formada em Marketing na Universidade UBC e em Comércio Exterior pelo IFSP. Suzanense (SP), de família simples, conquista o público com sua simpatia, buscando sempre atender atenciosamente quem a acompanha.

Sobre o blog

Dicas de cuidados com o cabelo crespo e de beleza negra. Aqui você vai aprender técnicas para deixar os seus cachos ainda mais bonitos e vai entender melhor como lidar com o seu tipo de cabelo.